São Paulo, 19 de Abril de 2019.

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Bandas / Artistas





Pearl Jam, por Rodrigo Mendonça
Membros

* Eddie Vedder - Guitarra, Vocal
* Jeff Ament - Baixo
* Matt Cameron - Bateria
* Mike McCready - Guitarra
* Stone Gossard - Guitarra

Biografia

O embrião do Pearl Jam pode ser encontrado em outras bandas de Seattle, na época em que a cidade ainda não era o grande foco das atenções no mundo do rock’n’roll, como ficou sendo durante a primeira metade da década de 90. O guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament eram amigos e formaram uma banda de hard-rock chamada de Green River ao lado do guitarrista Steve Turner e o vocalista Mark Arm, mais ou menos na metade da décade de 80. Chegaram a gravar e lançar um disco, chamado "Rehad Doll", além de um EP, pelo selo local Sub Pop. Mas em 1988, a banda resolve se separar, sendo que Arm e Turner formariam logo depois o Mudhoney, uma das bandas primordiais do grunge. Jeff e Stone continuam juntos e, juntamente com o baterista Jeff Turner e o vocalista Andrew Wood, formam uma nova banda, chamada Mother Love Bone. Assinam um contrato com a Geffen Records e lançam em 1989 o EP chamado "Shine" e, em 1990, um álbum chamado "Apple". A banda começa a fazer a sucesso nos EUA, quando, logo depois do lançamento de "Apple", em 16 de março de 1990, morre o vocalista Andrew Wood, vítima de uma overdose de heroína.

Chris Cornell, amigo de Andrew Wood, sugeriu um disco tributo para Wood. Nascia então o Temple Of The Dog, projeto que reuniu integrantes do Mother Love Bone e do Soundgarden. Para auxiliar nos vocais, foi trazido um cara de São Diego (California). O nome dele? Eddie Vedder, recrutado através de um anúncio de jornal. Este supergrupo de Seattle lançou seu disco homônimo em 1991 e emplacou a música "Hunger Strike" nas paradas. Chris Cornell largou o Temple Of The Dog para se dedicar integralmente ao Soundgarden. Ament e Gossard, então, chamaram Eddie Vedder.

No outono de 1990, surgiu o Mookie Blaylock. Em novembro do mesmo ano, eles passaram a se chamar Pearl Jam, nome sugerido por Vedder, que seria uma homengam à uma geléia com poderes alucinógenos que sua avó (chamada Pearl) fazia.

O primeiro álbum do grupo, Ten (número da camisa de Blaylock no New Jersey Nets), saiu em 23 de agosto de 1991 e é, certamente um dos melhores álbuns do grunge, e do rock em geral nos últimos tempos. Possui canções belas e inesquecíveis como "Alive" (o grande sucesso radiofônico do disco, e que levou o Pearl Jam a ser conhecido nos quatro cantos do mundo), "Oceans", "Black" e "Release", outras pesadas e raivosas típicas do grunge, como "Once" e "Why Go", além de outras excelentes por si sós, como "Jeremy" (outro grande sucesso radiofônico, e que possui uma letra auto-biográfica de Vedder, narrando problemas em sua juventude), "Porch" e "Even Flow". Com a excessiva excecução desse disco nas rádios e MTVs, a banda vai ficando bastante conhecida (logo Vedder começa a sentir o peso desse sucesso) e o álbum chega assim ao Top Ten americano. A banda ganha o prêmio de Video of the Year da MTV, com o clip de "Jeremy", além de vários outros prêmios. O destaque final fica por conta das emotivas letras escritas por Vedder, responsáveis em parte pela sintonia imediata do público com a banda. Ele costuma dizer que suas letras são para serem interpretadas por cada um como bem entender, podendo até gerar interpretações distintas dependendo do ouvinte.

Em 16 de outubro de 1991, o baterista Dave Abbruzzese substituiu Dave Krusen.

Em 1992, a banda participa do filme "Singles", do diretor americano Cameron Crowe. Nesse filme, é feito um retrato da geração grunge de Seattle, e várias bandas da cidade aparecem tocando, como por exemplo, o Alice in Chains. Alguns dos membros do Pearl Jam fazem parte da banda de Matt Dillon, chamada Citizen Dick, sendo que Vedder é o baterista.

A banda participa ainda de um mini-acústico para a MTV, onde eles tocam algumas canções do primeiro disco, além de uma música que saiu na trilha sonora do filme "Singles" (chamada "State of Love and Trust", e que podia perfeitamente ter saído no "Ten", de tão boa que é) e uma música cover de Neil Young, chamada "Rockin’ in the Free World" (que a banda também tocou em vários shows normais). Nessa apresentação, Vedder protagoniza um show particular ao final, quando ele sobe no banquinho em que estava sentado e com uma caneta escreve vários slogans em seu corpo, em particular, alguns a favor de um instituição ambiental chamada Earth First (ele possui uma tatuagem em sua perna com o logotipo dessa instituição, da qual ele é sócio).


Depois desse exaustivo ano, em que o Pearl Jam consolidou de vez o status de ser a grande banda de rock do momento, o grupo volta ao estúdio para gravar o seu segundo disco. VS, o segundo álbum do Pearl Jam, foi lançado em 8 de outubro de 1993 e chegou ao primeiro lugar de vendagens em tempo recorde: em 24 horas, o disco vendeu mais de 350 mil unidades. A principio, ele iria se chamar "5 Against 1", mas na última hora a banda resolveu chamá-lo simplesmente de "Vs" (aliás, esse título não está escrito em nenhum lugar do CD, à exemplo do que fez o Led Zeppelin em seu quarto disco). A banda mostra definitivamente que pode ir além do que faz a maioria das bandas grunges, que nessa época, já estavam fazendo muito sucesso. Possui excelentes canções como "Animal", "Daughter", "Rearviewmirror", "WMA", "Leash" e "Indifference". Cada canção transborda de feeling e garra, mostrando a banda bem entrosada e com composições excepcionais.


Mas nem tudo são flores: Vedder experimenta cada vez mais o que é ser um "rock star", sendo que isso o incomoda. Mas a banda não diminui o ritmo intenso. Ainda em 1993, Eddie participa de um show no Rock and Roll Hall of Fame ao lado dos ex-membros do The Doors, Ray Manzarek, John Densmore e Rob Krieger. Lá eles cantam três músicas do inesquecível grupo de Los Angeles: "Roadhouse Blues", "Break on Through" e "Light my Fire". Para fechar o ano, a banda aparece em uma apresentação para o MTV Music Video Awards, com Neil Young no palco para a última música, "Rockin’ in the Free World".

Em março de 1994, o grupo começou uma dura batalha com a Ticketmaster , a maior empresa de ingressos dos EUA. A banda pretendia baratear o preço das entradas dos seus shows de verão. Sem conseguir encontrar lugares que não tivessem contratos exclusivos com a Ticketmaster, o Pearl Jam foi obrigado a cancelar a excursão.

O terceiro álbum do Pearl Jam, Vitalogy, foi lançado em 6 de dezembro de 1994. O álbum saiu primeiramente em uma edição especial de vinil, passando a ser comercializado também em CD e K7 apenas duas semanas depois. Esse disco mostra um Pearl Jam ainda criativo e contagiante, com Vedder escrevendo ótimas letras e criando excelentes melodias, e os instrumentistas bem afiados e mostrando muita garra (além de uma boa dose de experimentalismos, como na estranhíssima última faixa). Algumas músicas que se destacam são "Last Exit", "Spin the Black Circle" (uma das músicas com maior sonoridade punk do Pearl Jam – o título é uma referência ao fato de "Vitalogy" ter sido também lançado em vinil), "Whipping" (composta originalmente para sair no disco "Vs"), "Better Man" (que Vedder compôs nos tempos de Bad Radio), a belíssima "Corduroy" e a balada "Immortality" (que a banda insiste em afirmar que não é uma homenagem a Kurt Cobain).

Dave Abbruzzese é despedido (por motivos até hoje desconhecidos) e em janeiro do ano seguinte, a banda anuncia oficialmente que Jack Irons (ex Red Hot Chili Peppers) assume as baquetas no Pearl Jam, durante a transmissão do Monkey Wrench Radio Special. O programa de rádio contou ainda com Dave Grohl, Kris Novoselic, Soundgarden e Mudhoney.

A essa altura do campeonato, VS já tinha seis discos de platina, Ten, nove e Vitalogy, cinco. No mesmo ano, o Pearl Jam excursiona com Neil Young. A turnê rende o bom Mirrorball, disco solo do roqueiro. Em fevereiro de 1996, o Pearl Jam ganha seu primeiro Grammy, na categoria Melhor Performance de Hard Rock por "Spin the Black Circle".

Em 1996, voltam ao estúdio e em agosto do mesmo ano, lançam "No Code", que pode ser considerado um marco na carreira da banda. É o disco mais eclético e variado do quinteto, no que diz respeito as influências, sonoridades e estilos. Pode ser considerado por alguns como também o mais comercial, mas isso não faz com que ele seja ruim, muito pelo contrário. Possui excelentes músicas como "In My Tree" (com uma batida tribal empolgante, parecida com a música "WMA" do disco anterior, e que já mostrava como a banda podia variar em suas músicas), "Hail, Hail", "Red Mosquito", "Lukin" (homenagem à Mark Arm, do Mudhoney), a magnífica "Mankind" e a bela e surpreendente "Around the Bend". A banda continua com sua política de não divulgar o álbum comercialmente pelos meios normais, como lançando vídeos pela MTV (a banda só os fez para o disco "Ten"), dando entrevistas e se apresentando em programas de TV. A imprensa em geral, naturalmente, continua a boicotá-los, mas a banda não se comove e continua a fazer aquilo que acredita, e, principlamente, para aqueles que acreditam. Enquanto a imprensa detona o quinteto (e, principalmente Eddie Vedder), vários artistas os defendem, entre eles Michael Stipe, do REM, e Courtney Love, do Hole, dando assim mais credibilidade à banda, e fazendo com que os fiéis e verdadeiros fãs do Pearl Jam continuem os prestigiando.

Obviamente, "No Code" não foi um retumbante sucesso comercial, mas mesmo assim vendeu bem, e a banda parte para um nova turnê de quase dois anos, sempre com bons públicos (a despeito de não estar sendo bancada pela Ticketmaster). É importante dizer também que o grupo perdeu um pequena parcela de fãs antigos, que gostavam mais da época grunge do quinteto, com suas músicas raivosas e pesadas, mas mesmo assim, o Pearl Jam continua sendo uma das melhores bandas do mundo, fato comprovado em cada uma das excelentes faixas desse disco.

Depois da extensa turnê de divulgação, o Pearl Jam volta ao estúdio e passa o resto de 1997 trabalhando em novo material. O resultado é lançado em fevereiro de 1998, e é chamado de "Yield". Boas críticas e vendagens relativamente boas também marcam esse lançamento, mas claro, sem a euforia que marcou os dois primeiros discos da banda, na época em que eles eram as vítimas principais dos tubarões chamados MTV e rádio. Esse disco é bem parecido com "No Code": mostra a banda mais madura e competente em suas composições e arranjos intrumentais, com músicas mais voltadas ao rock’n’roll normal, livrando-se definitivamente do estigma de banda grunge. São vários os destaques do disco, como a contagiante "Brain of J", a bela "Faithfull", "Given to Fly" (que tem uma levada muito parecida com "Going to California" do Led Zeppelin) e a pérola "MFC", que tem um trabalho de guitarras inesquecível. Nesse disco, a banda volta atrás em uma das atitudes da postura anti-comercial levada a cabo por eles, aquela mais afetou os fãs (e por isso mesmo eles acabaram cedendo): a não produção de vídeo-clips. Eles fazem um excelente vídeo para a faixa "Do the Evolution", que é todo feito em desenho animado, produzidos pelo criador do personagem de revistas em quadrinhos e cinema Spawn. O clip é transmitido exaustivamente pela MTV ao redor do mundo. Depois do lançamento do álbum, Jack Irons sai da banda (dizem eles ser uma saída temporária) e Matt Cameron (que havia ficado sem banda depois do fim do Soundgarden) assume as baquetas. Ainda em 1998, dois novos lançamentos da banda: o vídeo "Single Video Theory", onde a banda aparece tocando músicas do último álbum, e o primeiro disco ao vivo do grupo: "Live on Two Legs" (o título é uma referência a um disco do Queen). Nesse álbum, a banda aparece tocando músicas de todos os seus cinco discos, e fecha o álbum com mais um cover de Neil Young, a excelente "Fuckin’ Up".

O ano de 1999 começou com o Pearl Jam participando de um disco em benefício das vítimas da guerra de Kosovo, chamado "No Boundaries" (no Brasil, "Sem Fronteiras"). O grupo aparece com as músicas "Last Kiss" e "Soldier of Love". A primeira é uma bela e simples balada, que tocou exaustivamente nas rádios do Brasil (e que virou um single da banda).

Ainda em 1999, o Pearl Jam volta a trabalhar na gravação de um novo disco, o sexto de estúdio. O resultado é lançado em maio de 2000, e se chama "Binaural". Produzido por Tchad Blake e mixado por Brendan O 'Brian, "Binaural" pode ser comparado com "Yield" e "No Code", por mostrar a banda mais contida, sem o peso e agressividade de antigamente, mas ainda com muita criatividade e competência, sendo bastante visível a maturidade das composições e melodias criadas pelo quinteto. Destaque para as músicas "God's Dice", "Nothing As It Seems" (primeiro single do álbum), "Light Years", "Soon Forget" (apenas Eddie Vedder na voz e ukelele) e "Grievance". A produção de "Binaural" é muito boa, realçando em algumas músicas uma atmosfera meio depressiva e pesada, como em "Nothing As It Seems" e "Sleight of Hand". As composições foram feitas por Stone Gossard, Eddie Vedder e Jeff Ament, ao contrário de antigamente, em que Vedder era praticamente o único compositor da banda. Vale destacar que o grupo continua a distribuir seus álbuns em caixinhas especiais (isso acontece desde o terceiro disco, "Vitalogy"), para evitar que o trabalho chegue mais caro as lojas devido à tradicional caixinha de plástico que é produzida por uma única empresa nos EUA. Outra novidade é o lançamento de diversos "bootlegs oficiais": são discos contendo gravações de show da banda ao redor do mundo, por preços mais acessíveis.

Em 2002, a banda volta ao estúdio para gravar seu sétimo disco, ao lado do produtor de Adam Kasper. Em outubro sai o primeiro single, para a música "I am Mine", e no mês seguinte é lançado "Riot Act". É um trabalho bastante maduro e coeso, que agrada mais aos fãs e críticos do que "Binaural". A banda volta a apresentar também um vídeo, para a canção "I am Mine" (o último tinha sido para "Do the Evolution" do disco "Yield"), além de anunciar que pretende novamente lançar os "bootlegs oficiais", a exemplo da turnê do disco anterior.


Em 2003, os lançamentos da banda foram a coletânea de b-sides "Lost Dogs" e o DVD "Pearl Jam at the Garden", que traz uma apresentação memorável do quinteto em Nova York (sexteto, se contarmos com o tecladista Boom Gaspar), com participações especiais de Ben Harper, Steve Diggle e Tony Barber. Até o momento o grupo já havia lançado dois vídeos: "Touring Band", que traz a banda em ação durante a turnê de "Binaural", além do já citado "Video Single Theory", que traz os bastidores das gravações do disco "Yield". Outro fato importante de 2003 foi o fim do contrato com a Epic, que lançou todos os discos do grupo. Até o momento, a banda ainda não divulgou quem será seu novo parceiro.

Em 2004, a banda lança o disco duplo "Live at the Benaroya Hall", que traz uma performance acústica da banda realizada em outubro de 2003, em prol da organização beneficente Youth Care.

Discografia

* Ten (1991)
* Vs. (1993)
* Vitalogy (1994)
* Mirror Ball (com Neil Young) (1995)
* No Code (1996)
* Yield (1998)
* Live On Two Legs (1998)
* Binaural (2000)
* Riot Act (2002)
* Lost Dogs (2003)
* Live at Benaroya Hall (2004)
* Rearviewmirror: Greatest Hits 1991-2003 (2004)

Veja também:

* PearlJam.com: Site oficial da banda - http://www.pearljam.com/
* Pearl Jam Lyrics - http://home.att.net/~chuckayoub/pearljam.html

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