São Paulo, 17 de Junho de 2019.

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Bandas / Artistas





Ultraje a Rogor, por Marcelo Pinto
Em dezembro de 1998, eu trabalhava como redator-chefe da finada Showbizz e tinha acabado de editar uma das reportagens de capa de que mais me orgulhei na revista: De Volta aos Anos 80, panorâmica do revival do rock brasileiro daquela década. Foi uma oportunidade de reavaliar vertentes que se levavam menos a sério ou que ousavam desprezar a “vontade feladaputa” (valeu, Caetano Veloso) de ser londrino vigente em certos círculos da elite. Afinal, naqueles tempos difíceis, a imprensa especializada nacional andara infestada de críticos que tinham banda e que costumavam avaliar o trabalho alheio com truculência de Figueiredo e idoneidade à Sarney. Se não chegou a escapar dessa turma ileso, o glorioso Ultraje A Rigor nem tinha muito do que se queixar na História. Tanto que, no meio das 20 páginas da matéria, havia apenas duas ou três frases especificamente sobre o grupo. Uma delas: “Roger mantém a banda viva fazendo muitos shows e as gravadoras bobeiam ao não contratá-lo”.

A ficha provavelmente caiu aí para um leitor especial, o produtor Rafael Ramos. Acima dos maneirismos uêive ou da seriosa estética do coturno made in Brasília, se havia um espírito a ser recuperado do rock oitentista para o atual, era o de recados simples, populares e universais como “Rebelde Sem Causa”, “Inútil” e “Sexo!!!”...

Naquele mesmo dezembro, acompanhei meu colega Bernardo Araújo a um show organizado por uma emissora de rádio paulistana, e conferi ao vivo a força intacta do Ultraje. A maioria do público estava lá para aplaudir outros grupos, mas certamente saiu impressionada com a banda de Roger, seu carisma e seu precioso repertório. Como é que ninguém falava mais neles, com tanta gente menos talentosa – daquela ou de outras gerações mais novas – em evidência no cenário pop/rock nacional?

No mês seguinte, fizemos questão de registrar o evento estampando uma foto do autor de “Rebelde Sem Causa” a abrir página dupla da revista. Insistindo na tecla, mandei o repórter Danilo Monteiro bater na porta do Roger e, em março de 1999, publicamos uma entrevista em quatro páginas. Nesse tempinho, Rafael Ramos não deu mole: foi atrás do Ultraje e, já na edição de julho da revista, tive o prazer de resenhar o álbum 18 Anos Sem Tirar!, lançado pela DECKdisc. Em setembro de 1999, o ciclo se fechava com a oportunidade de reparar outra injustiça histórica, colocando, pela primeira vez em 14 anos de Bizz, o Ultraje na capa da revista...

Pois é... A banda que está lançando agora Os Invisíveis é muito melhor do que aquela que reencontrei com emoção no finzinho de 1998. Desde o começo do ano seguinte, Roger passou a contar com o baixo certeiro de Mingau, uma das figuras mais importantes e queridas da cena rock paulistana, ex-Ratos de Porão, Inocentes e 365. E agora, pouco antes do início das gravações do novo disco, a formação ganhou dois reforços sensacionais: o baterista Bacalhau, 31 anos, ex-Little Quail e Rumbora, um dos melhores músicos de sua geração, e o guitarrista Sérgio Serra, que fez parte do Ultraje no “clássico” período 1987-90 e que tocou com meio mundo no rock carioca. Mais do que a excelência como instrumentistas, os dois trazem aquele espírito rock’n’roll que dizem que é intangível, mas que fica bastante físico nos tímpanos da gente quando se ouve o solo de guitarra em “A Gente É Tudo Igual” ou a caixa do Bacalhau em “Agora é Tarde”. Sem firula, sem presepada, eles levam tudo em arranjos simples que músicos muito piores tecnicamente poderiam reproduzir – sem um décimo da pegada, claro.


Você provavelmente já percebeu essa força do Ultraje supergrupo na faixa que está nas rádios, “Domingo Eu Vou Pra Praia”. Eddie Cochran autorizou lá de baixo, no Inferno Rock Club, essa atualização do “Summertime Blues” em que Roger revisita areias, nudez e sua filosofia de vida absolutamente roto-rooter (desencanada, né?). Eu poderia deixar para outro jornalista o cabotinismo de definir a letra como perfeita expressão do desânimo vigente no país pentacampeão de desemprego, mas, ups, escapou... É, em agosto de 2002, o cenário econômico brasileiro só não é mais deprimente do que a paisagem musical pintada nas rádios e tvs. Por conta disso, o comentarista cultural Roger Rocha Moreira teve de se apropriar de termos do psicoproctologista Jacintho Leite Aquino Rego para dar o seu parecer na faixa que, com trocadilho, introduz o disco, “Esta Canção”. Poucas vezes a escatologia foi tão bem aplicada em uma letra – e quem não concorda que fique em casa se torturando com os melismas exagerados e os vibratos inadequados do Fama...
O fato de duas – “O Velho Surfista” e “Onda” - das onze músicas serem instrumentais revela o Ultraje atual como uma grande banda de surf music, e o título do disco tem tudo a ver com essa faceta. Mas – alerta vermelho para interpretice explícita - talvez a opção de Roger pela mudez ao longboard involuntariamente reforce sua posição de “é melhor nem comentar”. Ou, se for para comentar, que seja com a brilhante concisão da vinheta “Me Dá”, cuja ironia requer apenas dois neurônios, dois segundos e duas palavras para ser percebida. Se fosse literatura, seria um conto do Dalton Trevisan.
O sexólogo Roger Rocha Moreira não decepciona aqueles que ansiosamente aguardavam seus pitacos: revisita “o cara lá de baixo” que atua como senhor (calma, não é com você, Ayrtonzinho) e a eterna incompreensão entre homens e mulheres. Você precisa ouvir essa logo: “I’m Sorry”, um ska pilantríssima com trombone responsa, efeitos dub, e, claro, um órgãozinho sem trocadilho. Dr. Roger também ganha de presente “Miss Simpatia” (dos consultores Gabriel Thomaz e Renato), um belo rock que é a cara do Autoramas, banda do Gabriel, gravado com rara felicidade. Aliás, é preciso fazer justiça à ótima produção de Rafael Ramos. Só aqueles que escrevem a partir do que lêem no encarte podem deixar de perceber a qualidade e os acertos de seu trabalho. Basta botar os ouvidos em ação para notar que Os Invisíveis registra o Ultraje com um punch que não aparece em seus melhores trabalhos dos anos 80. A molecada acostumada a escutar hardcore ou emocore (nunca se viu rótulo tão ridículo...) pode tirar a prova a partir da faixa mais “atual” do disco, “Agora é Tarde”, uma delícia de descarga hormonal incrivelmente gerada pelo quarentão Roger. Os mais coroas têm a delicadeza das vozes e o clima doo-wop recriado de “Me Dá um Olá” para persuadi-los. Eu, de minha parte, depois de quase enlouquecer a patroa ouvindo “I’m Sorry” umas nove vezes seguidas, acho que certas pessoas nunca vão entender mesmo. Para ficar na analogia (com trocadilho?) surfístico-cerebral, é uma questão de comprimento de onda, e essas coisas não é elegante comentar, não é mesmo?
Pedro Só

http://www.ultraje.com



ULTRAJE A RIGOR - BIOGRAFIA

O Ultraje a Rigor foi formado no final de 1980, inicialmente como uma banda de covers, principalmente Beatles, rock dos anos 60, punk e new wave. Depois de algumas formações provisórias, Roger, Leôspa, Silvio e Edgard começaram a se apresentar em festas e barzinhos. Em 1982, ainda sem nome fixo, decidiram pôr Ultraje a Rigor, já que nunca eram muito fiéis às versões originais dos covers que faziam, frequentemente avacalhados ou distorcidos.

Em abril de 1983 participaram do projeto Bôca no Trombone, do Teatro Lira Paulistana, em São Paulo, seu primeiro show só com composições próprias. Foram contratados pela gravadora WEA. Gravaram seu primeiro compacto, Inútil / Mim quer tocar, que, por problemas com a censura, só saiu em outubro daquele ano. Após a gravação do compacto, agora fazendo mais shows, Edgard, já na época do Ira, não pôde mais dividir-se entre os dois grupos. Para o seu lugar foi chamado Carlinhos. Com esta formação gravaram seu segundo compacto "Eu me amo/ Rebelde sem causa" em 84. Eu me amo foi bem nas rádios, impulsionado um pouco pela polêmica coincidência de refrões com a música Egotrip, da Blitz. Mas o lado B do compacto, que começou a tocar co começo de 85, foi que detonou a explosão do Ultraje.

O primeiro LP, Nós Vamos Invadir Sua Praia, lançado a seguir e puxado por "Ciúme", foi um enorme sucesso. Foi o primeiro LP de rock nacional a conseguir discos de ouro e platina. Das 11 músicas do disco, 9 foram amplamente exeutadas e o Ultraje quebrou recordes de público em diversas casas de shows no Brasil inteiro.

No começo de 86, gravaram um LP chamado "Liberdade para Marylou", com uma versão remixada de "Nós Vamos Invadir Sua Praia", o "Hino dos cafajestes"e a música "Marylou"gravada em ritmo de carnaval e com as frases censuradas substituidas por frases de trombone. "Marylou"arrebentou nos bailes de carnaval daquele ano e até hoje continua sendo tocada quase como um clássico de carnaval. Já em 87, gravaram seu segundo LP, Sexo!!. Durante as gravações, Carlinhos saiu da banda para dar lugar a Sérgio Serra na guitarra. O disco foi lançado com um show-surpresa histórico na Avenida Paulista, uma das principais avenidas de São Paulo, provocando um congestionamento de vários quilometros. Nova turnê por todo o Brasil, novas músicas estouradas nas rádios e nada de férias, dese 84.

Em 89 gravaram Crescendo, seu terceiro LP. O Ultraje ainda causava polêmica, ao provocar o anunciado fim de censura oficial com a música "Filha da Puta". Palavrões não eram coisa comum naquela época, muito menos num refrão. Logicamente, a música foi censurada extra oficialmente em diversas rádios e em programas de TV, o que também atrapalhou na divulgação do disco. Outras músicas, com palavrões leves ou temas picantes, como "O Chiclete"e "Volta Comigo", também tiveram a execução prejudicada. Em 90, o Ultraje lança Por que Ultraje a Rigor? , um disco de covers que faziam parte de seu repertório original. Maurício muda-se para Miami e Andrea Busic entra em seu lugar provisioramente, sendo substituído por Oswaldo um mês depois. Quase um ano de turnês depois, o Roger percebe que o Ultraje já não era a mesma coisa. Leôspa, casado, já não tinha mais a mesma disposição para viajar e ensaiar. Sérgio Serra queria sair para formar sua própria banda e Oswlado preferia trabalhar em seu estúdio profissional. Após uma conversa com Leôspa (que hoje mora em Ubatuba), decide procurar novos integrantes que quisessem continuar o Ultraje a Rigor.

Procurando em bares e shows de bandas iniciantes, encontra Flávio Suete, baterista que tocava com a banda Nem e com o Central Scrutinizer Band, cover de Frank Zappa, Flávio indica Serginho Petroni, baixista com o Zappa cover. Juntos começam a fazer audições para novos guitarristas. Após meses de ensaio e procura, acabam encontrando Heraldo Paarmann, por meio de um anúncio informal na Rádio Brasil 2000. Continuam com os ensaios e uns poucos shows para o entrosamento. Em 1992 a gravadora lança "O Mundo encantado do Ultraje a Rigor". No mesmo ano, enfrentando problemas com a gravadora, a banda lança de maneira independente "Ah, se eu fosse homem..". Em 98 lançam Ó!, seu sexto LP, que teve o hit "Acontece toda vez que eu fico apaixonado". A partir de 95, a gravadora passa a lançar várias coletâneas do Ultraje a Rigor (geração Pop", "O melhor do Ultraje a Rigor", "2 é demais!" e "Pop Brasil") sem o conhecimento da banda.

O Ultraje a Rigor segue compondo e fazendo shows. em 1999 lançam "18 anos sem tirar"

Fonte: AgenciaProdutora

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